Incendium Amoris

Padrão

Por dentro do desejo, o silêncio que suspira.

É o vento com aroma de incenso e mirra.

Fogo que arde, que purifica este desejo.

Corpo suspenso tremendo de anseio.

Dormentes rosas vermelhas do peito nascem.

As chamas do teu ser em cinzas se desfazem.

Na noite de verão deitei-me numa cama de rosas brancas.

Só para mergulhar meu olhar no luar do teu corpo,

 textura de leopardo, para além do imaginado.

Com frio ou calor serás sempre o lugar onde o Sol se vai pôr.

Lábios eternos, abraços efémeros.

Ciclos saudosos do convite que se espera.

Odor que passou, ficaram teus olhos nos meus.

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Trilho de infinitas belezas, estrela deslumbrante.

Adormece na minha cama sonhando meus sonhos.

Luar que ama, rosa vermelha que me rasga o peito.

Como dói segurar-te as mãos que choram lágrimas vermelhas.

Dança pelos céus e desce para brilhares no meu leito.

Teu calor, tua ternura embalam o meu ser.

A intensidade dos nossos silêncios preenche todas as noites.

Amor, tua fragrância é transcendência.

No seu interior o silêncio que seduz.

Insaciável amante de uma lua que não se esconde.

Esse luar tão forte que me fez esquecer o Sol.

Na noite perdido fiquei numa cama de rosas brancas.

A profecia que rasgou os céus escutei.

Sensualidade nascida da devoção, rosa envolvente.

Na comunhão do pensamento, és o segredo que perdura.

Só resta o teu corpo que parte e o meu que fica,

o teu coração que acelera e o meu que abranda.

Ricardo Gomes

Devoção

Padrão

Quando os anjos cantaram e o céu se abriu diante de mim, vi a porta estreita repleta de luz.

As chamas incandescentes dos teus olhos acenderam a minha mente, no teu olhar pude contemplar a beleza oculta em todas as coisas, audível em todos os momentos.

Tornei-me incenso diante de ti.

Envolvi-me no teu amor, toquei no teu corpo. Abraçamos-nos intensamente com toques eternos.

Amei-te noivo da minha alma.

Com fome e sede de ti, adoro-te Salvador.

O toque das tuas mãos estremece a minha alma.

14753257_1234213123296630_3059990667389417491_o.jpgDesejo conhecer-te Senhor, desejo tornar cada gesto da minha vida agradável ao teu coração.

És a Luz que me aquece no gelo do sofrimento.
Serás a escuridão se me puder abraçar a ti.

És o meu maior desejo.

Ilumina os meus olhos, incendeia o meu coração.
Fogo que me queima és tu, beijo-te na minha devoção.

Orar é fazer amor contigo, escutar a tua voz é entrar no Infinito.

Ricardo Gomes

Lover

Padrão

É um instante de ti para a eternidade, independentemente do que aconteça.

O sentir faz sempre amor com a verdade.

A vida será bela. As manhãs serão luminosas.

Porque esse corpo é um Sol que aquece todos os planetas do meu universo.

Fazes-me sentir único, aquele que iluminas, num fogo que brilha sem parar.

Instinto que não se pode combater é saber que me podes ter.

Quando te aproximas os mundos desfazem-se.

Quero que fiques, independentemente do que aconteça.

A vida é a dádiva, em várias voltas paramos no mesmo lugar.

Não sabemos o que seremos, mas sentimos o que desejamos.

De novo, o silêncio. Denso, cheio.

Estás vivo hoje. Não sei falar de ti no passado,

não sei pensar em ti no passado, não sei responder à tua pergunta.

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Independentemente do que aconteça.

Quero permanecer para sempre nestes instantes de imensa intimidade.

Ficarão os olhares.

Os teus silêncios, as tuas palavras.

Dizes o que é belo, mergulhas o teu olhar no meu,

como que para extrair a confissão que esperas,

mas encontras a resistência do meu olhar que foge.

Ricardo Gomes

 

Sonho

Padrão

Sonho.

Tu és sonho, verso do meu sonho.
Poema com saudades que passou e ficou para depois.
Estás além de mim, nada é assim.
Vida dos meus pensamentos, alma do meu desejo.
Como o infinito véu do anoitecer que caiu do céu.
Suspenso em saudades bebo do cálice da tristeza.
Até na dor encontro beleza, sonho fora do sonho,
ninguém é assim, nesse jeito sem fim.
Cubro-me com a tristeza, vivendo de saudades.
Porque é que gostar é algo complexo?
Dói.
Dormir é encontrar-te, sonhar é tocar-te.
És pensamento, és segredo.
Não me despertes porque não quero largar esse corpo,feito de versos.

Poema que escrevo no olhar que não mostro.

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Ricardo Gomes

Anjos e Demónios

Padrão

A minha santidade…

Sensual, paranormal, paradoxal.

Não consigo viver sem isto, mas não consigo viver com isto.

Quero usar os poderes da minha magia para aprisionar os meus demónios.

Tentadores, destruidores, imparáveis. A magia arde no fogo do meu sangue.

Em visões imparáveis ao ponto de enlouquecer, canto os cânticos do céu e vejo os anjos.

Lindos, deslumbrantes e sensuais. O seu olhar sagrado estremece os meus ossos, sinto medo na minha alma.

Medo de me fascinar pelos poderes da magia, medo de me apaixonar pelos anjos.

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Existem anjos e demónios. Existem corpos repletos de luz na escuridão dos meus olhos.

Porque o mundo das visões é a escuridão do olhar humano.

Sou santo na clausura dos meus tormentos. Habitando entre os mundos dos anjos e dos demónios.

Vivo separado, desligado, desinteressado. Não sei amar, não aprendi nem senti, prefiro sonhar e seguir as visões.

A árvore fala comigo, como algo que mais ninguém pode comer.

Sou consumido pela gnose torno-me um com o invisível.

Ricardo Gomes

Íntimo

Padrão

I

A constituição íntima da poesia.

O universo é negro, o lugar da noite.

Onde os nossos olhos se fecham,

e dos suspiros dos nossos lábios fazem-se versos.

É tão bom quando o meu corpo sonha com o teu.

Queres a verdade?

Eu quero que o meu corpo seja um mundo em que te percas.

Um universo em que contemples a natureza do desejo.

Segura-me nos teus braços e nunca me deixes partir.

Consigo ver nos teus olhos que há algo que escondes de mim.

Entra nos meus lábios e ama-me com paixão.

Caminha e perde-te, ninguém te vai parar.

Sem deveres, sem horas certas, sem realidades.

Voar no meu céu, respirar no meu corpo.

Nesta cama feita de pedaços do universo, onde os lençóis negros revelam o brilhar dos nossos corpos,

nasce e renasce uma estrela sem fim.

II

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Quando me tocaste as estrelas caíram do céu.

Tudo se tornou escuro e secreto, viajei pelos meus sentidos.

No movimento do prazer, há saudades nos olhos,

há saudades no peito, há saudades nas pernas,

há saudades nos braços.

Os outros nunca sentem o que se passa neste quarto escuro.

Se não estás aqui, eu também não quero estar.

Quero estar bem próximo de ti.

Ricardo Gomes

Virgem Eterna

Padrão

De olhos fechados caminho suspenso na imensa escuridão, guio-me pelo suspiro da tua voz.

Como um eco eterno que origina realidades, vejo luzes que eclodem na ausência do olhar.

O teu corpo brilha como o sol nascente, na noite dos meus pensamentos és a lua cheia sensual e resplandecente.

Os teus seios são as ilhas do amor onde todos os deleites saciam o meu fervor.

Do teu ventre eterno em curvas que contornam o universo, geras a vida que evoca a eternidade.

 Desde a eternidade fui estabelecida, desde o principio, antes da origem da terra. Quando os abismos não existiam, eu fui gerada…Quando firmava os céus, lá estava eu.                            Provérbios 8:24 e 27

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A mãe de todos os seres e a amante de alguns, na contemplação da mente desejo-te a ti somente.

Possuir o teu corpo em oração, minha virgem, Senhora do prazer.

Quero o teu corpo, quero-te ter, na devoção mística uno as palmas da minha mão à tua.

Aproximo o rosto, olho-te nos olhos, um fogo que me devora no desejo da pureza e santidade.

O meu corpo pousa em ti como o vento pousa sobre a terra, em cima de mim dominas o mundo.

Morro para mim, torno-me tudo.

A Sabedoria é mais móvel que qualquer movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra. Ela é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente.. Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítida da atividade de Deus e imagem de sua bondade.                                 Sabedoria de Salomão 7:24-25

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Moves-te suavemente olhando para as estrelas, nesta noite inesquecível em que formaste o mundo.

Desejo-te com o único desejo, ouvindo a tua voz, envolta em luz.

Rodeada por anjos brilhas no céu dos meus olhos, o teu sorriso traz paz às nações.

Ela faz brilhar sua nobre origem vivendo na intimidade de Deus, pois o Senhor de tudo a amou. Ela é iniciada na ciência de Deus, ela é quem decide o que ele faz.                                                       Sabedoria de Salomão 8:3-4

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Ricardo Gomes

 

 

Sentidos

Padrão

Os sentidos são a perceção e a acepção,

de tudo  aquilo que nos rodeia.

Que diriam os filósofos e os eruditos sobre os sentidos?

Certamente iriam induzir-nos ao empirismo,

ao conhecimento sensorial.

O empírico é algo prático e experimental.

Como um curandeiro que seria sensível,

a  toda uma consistência  de sensações, emoções,

sabores, odores e notas corporais tangíveis.

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Com o meu olhar singelo contemplo o mundo,

com o meu olhar espiritual vislumbro,

o que muito poucos  veem e sentem.

Há algo mágico e transcendental,

entre os dois mundos.

O mundo terreno e o mundo espiritual.

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As riquezas e a matéria no mundo terreno,

já tem um nome e uma explicação.

No mundo espiritual também têm designações,

com descrições arrebatadoras e fascinantes .

Os meus olhos contemplam o céu azul,

que se espelha no mar e nos rios.

Vejo nascentes e fontes de vida,

cheias de fé e esperança.

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Entre cordilheiras, montanhas e serras,

admiramos o verde que marca,

toda uma  linda paisagem.

Os vales verdejantes,

as planícies, montes e jardins.

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Vejo árvores abundantes de frutos.

Frutos de amor e de alegria.

Adoro sentir o sol na pele,

as lágrimas do céu que desabam,

e tocam-nos graciosamente na face.

Amo o abraço, o toque do meu amado.

Aquele contemplar tão desejado.

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Prezo o calor da amizade.

Apego-me aos desfavorecidos.

Sinto a sua angústia,

e o gelo da sua saudade.

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Adoro tocar nas faces,

amo o toque das mãos.

Gosto de abraços apertados.

Adoro o abraço terno e inflamado dos meus filhos.

Exploro o mundo pelos sons,

canto , rogo, oro a Deus e aos anjos.

Adoro os gargalhadas das pessoas,

O riso genuíno das crianças.

Amo as palavras de conforto e perseverança,

dos fiéis e iluminados.

Tenho pena dos que não sabem viver,

estando perpétuamente em sofrimento.

Vivendo presos e infelizes nas suas lamúrias.

Gosto de cheiros e odores,

amo o cheiro das plantas,

Adoro o cheiro da terra molhada,

sinto os odores de tudo o que me envolve.

Gosto de cheiros característicos.

 Amo os sabores e as emoções.

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Lembro-me dos sabores e das recordações;

que sentia em criança.

Recordo-me dos fornos de lenha,

da comida cozinhada na terra.

Da alegria do bem servir,

servir com amor e devoção.

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 Hoje saboreio as emoções e os sentimentos.

Dou um valor inestimável;

a tudo o que já tive e já perdi.

Amadureci e finalmente aprendi,

que o mais importante,

é o amor e a compaixão,

viver em fé e na esperança.

Se não vir o meu mundo singular,

deste prisma, desta ótica e luz,

não terá valido a pena amar e adorar,

e ter esperado em crença.

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O verdadeiro sabor da vida é a essência genuína.

De tocar e sermos tocados pela sabedoria,

de aprendermos a dar valor ao que temos,

aceitar as condicionantes da nossa vida,

e acreditar com alegria.

Catarina Leitão

 

A Saudade

Padrão

Poema escrito pela minha mãe

Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém, de afastamento de um lugar.

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A saudade é um sentimento raro e peculiar,

palavra  impar, sentida e vivenciada pela nossa nação.

Usada sempre com um solene lirismo.

Enaltecida com grande mestria no nosso fado e outras melodias;

usada como mote em lindas e ricas poesias.

Epopeias, declamações, representações,

e outras filosofias  de pensamento.

Dizem os eruditos, os letrados e os mais iluminados,

que ao longo dos tempos longínquos e há muito passados;

a palavra saudade nasceu,

da palavra latina  “Solitãte” , «solidão».

Diz a lenda, o mito e a nossa narrativa oral,

que a palavra saudade , o mote,

o sentimento e o grande conceito,

surgiu aquando do período dos Descobrimentos Portugueses.

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A palavra saudade narra que os homens partiram,

para o gigante mar turbulento, inexplorado e desconhecido.

Muitos à deriva, esmagados pelas fortes correntezas e tempestades,

receosos dos mitos e lendas narrados por tantos navegantes.

Foram em busca duma vida mais afortunada.

Partiram para lutar contra a morte da fome da terra.

Com a fé, crença e esperança.

Que iam encontrar um melhor destino.

Conforme foram passando os dias, meses e anos.

Lembravam -se das suas mães, mulheres, filhos e filhas,

que  tiveram de deixar para trás.

Muitos não tiveram oportunidade de ver crescer.

Sentiam a ausência da sua pátria,

a terra que toda a vida conheceram,

Que tanto amaram e desamaram.

Acredito que ao fim de tanto tempo,

a vislumbrar o imenso azul do mar.

Viriam breves esboços dos rostos das suas amadas.

Ouviriam os ecos das vozes e risos das suas amadas,

os sons já distorcidos dos risos das crianças.

Talvez sentissem poeticamente os cheiros dos seus corpos.

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Flutuo até aqueles portos e mares,

donde embarcações partiram.

E vejo dum lado um grande mar salgado,

e nas areias vejo e sinto as suas incontáveis lágrimas que me tocam nos pés,

daquelas, mães, mulheres envoltas nos xailes.

Imagino os seus longos e intermináveis anos,

a olharem o grandioso mar.

E o que terão chorado, e clamado a Deus;

Ás vezes que terão sufocado na solidão,

a esmagadora tristeza nos seus olhos.

Para que o majestoso mar,

devolvesse os seus amados.

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E o que sentiram de tão profundo e esmagador,

tantos homens e tantas mulheres,

aquele grande sentimento,

que nasce nos nossos genes,

para sempre a dita Saudade.

Quais seriam as suas preces a Deus.

Mares e mares de lágrimas,

Para pôr fim a derradeira Saudade.

Catarina Leitão.

https://www.wattpad.com/story/78529095-saudade/parts

Meditação

Padrão

Ás vezes não vejo, sou o próprio olhar.
Ás vezes não ouço, sou o próprio silêncio.
Ás vezes não desejo, possuo o teu corpo no meu.
Já não te quero sentir porque sou quem tu és.
Não há silêncios nem vidas suficientes para descrever
aquilo que é, não sei se momentos não sei se um sonho desperto.
Onde flutuo sem me mover por uma noite eterna,
onde o topo do meu crânio invisível e inexistente é a porta para as galáxias.

Diluo-me no vácuo transcendente.
Sinto as batidas dos universos, os sopros da consciência, não estou no vazio,
entro no vazio e existo para lá da existência.
O liquido escorre enchendo-me de felicidade, não preciso de nada
tu és tudo o que eu quero, tudo o que eu desejo, tudo o que me torno.

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A droga do Éden, a grande estrela que flutua por cima dos meus cabelos.
A coluna é um corredor cheio de penumbras brilhantes, a serenidade é um êxtase.
Como uma droga proibida que ocultaste dentro de mim.

Nas profundezas do meu ser.

Em vão te procurei nos recantos da terra, em vão clamei por ti nos templos.
Em vão quis acreditar no teu corpo…
fazemos amor por toda a eternidade no teu corpo, beijo-te com carinho,
sinto o teu fogo por todos os lugares do meu ser.
O meu corpo transformou-se no espaço sem limites, onde a consciência do amor é a verdade.
Droga do Éden, líquido que libertaste em mim quando atingimos o prazer supremo.
Não conheço humanidade, neste momento divino, onde a existência é divindade.

Ricardo Gomes

Mar Poético

Padrão

Poema escrito pela minha mãe

Oh meu grande mar salgado

Sinto-me tão prateada em ti.

Contigo declino os meus grandiosos esteios,

ascendo-me totalmente dos recônditos sentimentos.

ascendo-me totalmente dos recônditos sentimentos

Oh meu grande mar salgado,

em ti abdico da minha essência,

identifico-me com a tua tormenta,

sou única numa consistência;

Mimosa; calorosa; frívola; revolta e indomável.

Por vezes intempestuosa.

A minha natureza é devastadora,

mas é um ventre fecundo de vida.

mas é um ventre fecundo de vida

Oh meu grande mar salgado,

arraso, edifico e destruo.

Dou vida, sustentabilidade, plenitude e felicidade.

O mar é uma fénix que arde sem fogo,

tirando todo o folêgo do seu amante.

tirando todo o folêgo do seu amante

Oh meu grande mar salgado,

sinto o infortúnio, quando as vidas se debatem,

perdem-se num grandioso oceano de lágrimas.

Sofro pelas viúvas,

Por todas as que perderam a sua metade.

Oh meu grande mar salgado,

aspiro o abraço majestoso das tuas ondas.

Adoro a imponência das tuas marés,

devoto a ti a liberdade e a felicidade que dás.

Catarina Leitão

https://www.wattpad.com/user/CatarinaLeitao

Eternidades

Padrão

Quando as horas são momentos,

e os fragmentos da verdade são como o sopro do vento,

que derruba  e destrói em tempestades intermináveis.

Círculos sem fim de sonhos e memórias.

Aquilo que é seguro, aquilo que é inquestionável.

Quem és tu?

Não és oca nem vazia, tens a substância a força que se movimenta penetrando todas as coisas.

És o ser que sai de outro ser, primeiro um choro depois um silêncio, os movimentos dos braços, o mover das pernas. O sentimento do outro, a consciência de outro corpo.

Momentos que parecem eternidades.

Pequenos gestos repletos de verdade.

A pureza e a inocência da natureza livre.

És livre daquilo que os outros querem de ti, queres ser tu própria cheia de ti, não procuras ser oca nem vazia mas cheia de eternidades.

Sem convenções nem regras, sem exigências nem estilos.

Simplesmente tu.

Pura, única, genuína, sincera e fiel.

Há sempre paz no coração do fiel.

Há sempre luz naquela que é luminosa.

A luz brilha nos teus olhos e queima o teu coração, o fogo queima e dói mas é essa dor que origina a imortalidade.

Sozinha no teu mundo caminhas em ritmos eternos procurando sempre a verdade.

No teu lado negro escuto o sorriso da Kali, na tua morte existe vida, na tua destruição reside a verdadeira pureza.

Não há limites para o teu amor  é do tamanho do céu, o teu sorriso leva os vazios ao paraíso.

Incomodas quem não tem substância, quem não é.

O centro do teu coração é um relógio de eternidades.

Momentos cheios de mistérios na solidão do teu mundo onde a loucura é a vida que se expressa.

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Ricardo Gomes

Metamorfose

Padrão

Poema escrito pelo meu irmão para a antologia poética da sua escola

Somos um só.

Lágrimas do sol,

Filhos da lua,

Da beleza nua.

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És a tempestade

E eu, a serenidade.

Nasci da loucura

E tu, da doçura.

O teu pescoço

São os prados

Por onde provoco o teu suspiro

E o toque ardoroso

Que te conquista.

É o calafrio

Que te modifica.

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Um beijo…

Metamorfose:

Abandona a tua crisálida

E renasce no nosso amor.

Miguel Ângelo Leitão

Os teus Olhos

Padrão

 

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São os teus olhos, sempre foram os teus olhos.

Olhas e o tempo suspende os ciclos intermináveis das estrelas, olhas e as trevas que escurecem a superfície da vida são névoa de sonho, vapor de ilusão.

Retiras o olhar e eu tremo de frio, como a terra arrefece durante um eclipse solar.

Os teus olhos são duas tremendas noites de paixão, onde dois corpos sedentos lutam até ao esgotar da paixão.

Noites cheias de momentos escuros, profundos e misteriosos, lugares onde me oculto.

As esferas perfeitas de Platão, a sintonia da alma, oculta-se no teu olhar.

Se as estrelas caminham suspensas no olhar de Deus, a minha alma salta na poeira que o teu olhar levanta.

Se os nossos lábios se unissem seriam um vulcão, do seu contacto explodiria um beijo de nebulosas que começaria um novo mundo.

Ricardo Gomes

 

 

Teus Enigmas

Padrão

Tu és um portal onde se escondem todos os desejos.

Um céu onde flutuam os sonhos, percorridos por sonhadores ávidos.

Os teus olhos são o sol e a lua,

Perdidos nessa imensidão, só pelas estrelas se guiam.

As constelações resplandecentes que povoam o teu corpo, contando histórias de várias formas.

Os detalhes secretos da tua beleza.

O mistério que se desvenda a quem se perde no teu lado escuro guiando-se apenas pelas tuas estrelas.

No momento infinito onde a fantasia é a única linguagem possível, o som dos sonhos.

Bato em vários portas até encontrar aquilo que procuro.

Não procuro um corpo, nem um desejo.

Procuro uma porta, uma fantasia de carne e osso que me transmute em desejo,

que me consuma em chamas feitas do corpo das estrelas.

Existem amores que matam o segredo que há em nós.

Fundindo-nos em trevas maiores, tornando a nossa luz brilhante.

Perdido nessas constelações, em universos de toques enigmáticos,

sou um eterno viajante nesse desejo que é a química que nos une.

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Ricardo Gomes

Sou

Padrão

Rodas, rodas e mais rodas que deslizam por lençóis.

O mundo é uma cama suave, suspensa num universo de pesadelos.

A porta do medo, por onde caminho nas dúvidas da noite encontro o meu destino.

Sou suave e quente, mas fui rasgado e apagado.

Hoje sou uma cama onde ninguém se quer deitar, deixar apagar o brilho do meu encanto até me encontrar.

Nas névoas do feitiço fui vendido a um mercante.

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Hoje sou um homem ardente, sensual como o Sol poente.

O calor dos meus olhos derretem o teu coração.

Não quero ser rei, não quero ser homem, quero ser o mundo do inexplicável.

Explorar os recantos desta cama de lençóis,

deitar-me comigo, fazer amor comigo, encontrar-me.

Sou inteiro, um anjo em chamas que incendeia os céus.

Uma boca que anuncia os mistérios, ouvi os ventos do deserto.

Senti o Sol na minha pele.

Querubim é o teu nome, e em suaves lençóis serás desejado pela tua pureza.

Ricardo Gomes

Os olhos da Noite

Padrão

A noite do olhar habitada por penumbras, alumiada pela lua cheia.

Cheia de pesar, relâmpagos silenciosos na infinita escuridão.

És assim quando sentes uma mão.

O toque tempestuoso, o caos da verdade.

Nesta noite brilhamos com os nossos piores segredos.

Sem um som, falamos entre olhares.

Dois oceanos gelados, que aquecem os nossos corpos.

Mortos, esquecidos.

Vivificados na esperança do luar.

Sinto-te a flutuar, como as estrelas na escuridão da noite.

Elas flutuam no seu brilho, tu brilhas na escuridão.

Vi as estrelas nos teus olhos, o infinito do Universo.

Senti o gelo do espaço, a distância do tempo.

A beleza eterna desta noite onde permaneces um mistério.

Um livro de seda envolto em rosas.

Quem te ler sangra, porque é um sofrimento chegar ao teu coração.

És o tormento daquele que te ama.

Na tua solidão existem mil sóis, nestes olhos existe uma noite.

Que olhar poderá ler tão grande rosa, que amor e paixão fazem sangrar esse coração.

Inacessível e pura, secreta e oculta.

Há espera daquele que sangre as suas mãos por amor e sacrifique o seu olhar para ler esse coração.

 

Ricardo Gomes

Lucia

Um presente especial para a minha prima especial, a minha alma poética.

Sou

Padrão

A minha vida não cabe numa ideia, sou o próprio pensamento
tão pouco cabe num versiculo, sou infinito como Deus.
Não sou apenas mais um, mas tudo em todos.
Saboreio o sal de todas as lágrimas, sinto o calor da ira.
A vergonha do prazer.
Não posso ser louco, porque a loucura já se apaixonou por mim, mas nunca me teve.
Não me podem silenciar porque eu sou a voz do silêncio.
Em mim caminham todos os estranhos, aqueles que procuram o desconhecido.
Não quero ser seguro, quero apenas ser eu, sem limites e barreiras, apenas tudo, em todos os momentos, em todos os lugares,em todos os tempos, em todas as eras.
Todos querem voar, eu quero apenas flutuar num vazio incompreensivel em que não penso.
O meu corpo está tenso, deste prazer.
Sou o liquido que escorre nas tuas mãos, o odor que atravessa o ar.
Não me consegues agarrar, aprendeste a andar, mas eu deslizo.

Ricardo Gomes

Transcendência

Padrão

Dentro de mim existem coisas belas e selvagens, coisas que me dominam.
Amores impossiveis, tenho medo que se tornem um vicio, algo sombrio cheio de desejo e morte.
Uma morte fria aquecida pela adrenalina do momento, algo que não podes controlar, este tormento desperto pelo olhar, esta sensação que nunca te esqueci.
No suspiro da loucura és ar tóxico que me consome.
Transpiro os teus gemidos, existo no teu corpo.
Dou por mim morto, sem ar, o que é respirar se não sentir a tua presença?
Nunca te vi até este momento no entanto parece que nunca te esqueci.
Os corpos entrelaçados na trascendência do prazer, respiração ofegante num lugar onde não posso ser.

Ricardo Gomes

 

Inconstância do Ser

Padrão

Sinto-me seguro na insegurança.

Na incerteza descubro as maravilhas da vida.

A ilusão faz sonhar, a desilusão acorda.

Nem os meus planos cumpro, quanto mais os dos outros.

Não se arruma uma alma desorganizada na organizada prateleira do destino.

Onde o propósito arruma a ilusão dos sonhadores.

Crianças inseguras que precisam de um papá para lhes guiar os passos.

Nesta vigilia permaneço desperto pelos gritos, dos que já não estão cá.

Contemplo a inscontância de ser,

a beleza do não permanecer em nada.

Quão  belos são os pesadelos! Quão desejosos os seus sons!

Neste meu cansaço escolho cada passo.

Sem mãos para me guiar, desejo o sonho, algures onde estás papá.

Ricardo Gomes