A Desejada por Deus

Padrão

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Mulher que te vestes de fogo, pisando a lua.

Coroada por estrelas, entronizada pelo universo.

Tuas vestes feitas de mar, encantos sem par.

Bendita sejas, Mãe de bendito olhar.

Por ti as noites mudam, por ti os anjos se apaixonam.

Mulher Imaculada, mãe apaixonada.

No refúgio dos teus braços cresceu o salvador.

No teu útero foi gerada em carne a suprema verdade.

Mãe da verdadeira luz, eclipse do nosso orgulho.

Tu és beleza.

Tu és mansidão.

Tu és pureza.

Ave, luz de Deus.

Ave, lâmpada do Cordeiro.

Ave, suspiro da Trindade.

Mulher perfeita, por Deus desejada.

Mãe amorosa, por Jesus amada.

Mulher flamejante, beijada pelo Espírito Santo.

És o reflexo nítido da bondade de Deus,

Rainha de Israel.

 

Ricardo Gomes

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Ode dos Cegos de Amor

Padrão

Como conquistar sem escudo e sem armas? Pergunta o amante.

O meu coração não tem muralhas nem guardas, mas há muito deixou de bater para conseguir receber amor. Responde o amado.

Se pudesse ressuscitar o teu coração, se pudesse despertar cada batida de bom grado ficaria cego. Diz o amante.

Meu admirador sou um jardim fechado sem fragrância perfumada, uma vida vazia sem esperança no orvalho do amor. Suspira o amado.

 

O Cântico do Amante

Eu colheria uma rosa digna para o meu amor;

Eu arrancaria uma rosa vermelha brotando.

O amor está no meu coração – tentando assim provar

o que o teu coração sabe.

Eu arrancaria meu dedo de um espinho,

eu arrancaria um dedo sangrando.

O vermelho é meu coração ferido e desamparado;

E teu coração que precisa.

Eu segurava um dedo na minha língua,

Gostaria de aguentar um dedo.

Dói-me o coração, até se juntar à música,

Enquanto o teu coração copula.

Já te ofereci o meu olhar, se me pedires receberás as minhas palavras e com mais ninguém falarei, porque só a ti o meu coração deseja dirigir-se.

O amado fugia nos seus silêncios esquivos não tanto do amante mas do amor que este lhe queria oferecer. O amor que o incomodava não porque não gostava do amante mas porque não conseguia sentir nem receber esse amor.

Porque o amor é uma chama que consome, uma dor que abrasa no seu prazer, um holocausto digno dos céus. O amor é a inveja dos deuses e dos anjos, porque quando o homem ama, entrega-se mais ao amado do que qualquer Deus se entrega a humanidade. O amor é o poder do homem, apenas os homens podem amar de uma forma digna do que é mais elevado.

O amante não compreendeu o amado e ofereceu lhe os olhos como sacrifício derradeiro, ao cair no jardim o sangue do apagado olhar, a fragrância das flores e das rosas formou um nevoeiro que envolveu todo o jardim.

A dor e o derrame comoveram o amado que prontamente segurou na mão do amante e guiou os seus passos até ao lugar de repouso.

Ai permaneceu deitado com dores na escuridão total mas com um sorriso nos lábios porque a voz do amado era o Sol mais belo para o qual ele olhara. O toque do amado era o vento mais suave que ele tinha sentido na sua pele. A beleza do amado era agora mais clara, mais real, era a sua própria presença.

O amado chorou pelo amante sentindo-se culpado e nestas lágrimas sentiu o coração a palpitar, sentiu a vontade de cuidar e guiar essas corajosas mãos que se sacrificaram por amor. Levantar as quedas dessa doença a que chamamos sonhar. Agora ele sentia-se livre e sentia tudo, o calor do amante, o seu sorriso, a sua felicidade.

Na escuridão do amante o amado brilhou como uma luz indescritível apenas contemplada por quem vê na escuridão. Ambos se entregaram ao amor.

 

Cântico do Amado

Sou as tuas mãos, os teus pés,

Sou os teus lábios, o teu olhar,

Sou o teu calor, o teu desejo,

Sou a fantasia que se fez carne.

A prova do Paraíso.

Sou o amor que permeia o universo, o ódio que o destrói

Sou o fogo que renova todas as coisas, num ciclo de eternidades

Incendeio o teu coração e mostro-te vezes e vezes sem conta que estás morto.

Apenas descobres a vida quando te rendes na minha presença.

A minha voz desperta os que dormem.

 

Ricardo Gomes

Being in Love

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Sente-se como fogo,
estar apaixonado por ti é ferir a alma.

 

Esta força do alto, desejo flamejante, que me despe de palavras numa nudez de saudade.

 

Quero ir mas tu fazes-me ficar, o amor é um campo de batalha.

 

Quando perco o controlo, quando me rejeitas.

 

A força que não encontro, a certeza que não conheço.

 

Arrebata-nos do corpo, para um momento sublime.

 

Algures no teu coração, envolvido nos meus braços sentes os meus lábios a beijar a tua alma.

 

Em labaredas de fogo permaneço hipnotizado pela beleza do teu sangue.

 

O teu toque é gelo que fere o calor do meu ser.

 

Sou o poço onde alguns se sentam ao redor,
o poço por onde entras para beber a água que borbulha.

 

Borbulha nos teus lábios a fricção do gelo em chamas.

 

Porque a tua frieza inspirou a beleza do paraíso.
Os meus sonhos permanecem vazios, na ausência das tuas asas, a minha alma vai morrendo.
O amor é como um rio a correr pelo meu interior, destruindo o equilíbrio dos meus órgãos.
O amor é perigo e prazer, estar apaixonado por ti é o único tesouro.
O poder do amor, os céus abertos por chamas flamejantes de desejo superior que purgam o meu coração.
Ricardo Gomes

Ode dos Amantes

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Foi na noite do teu silêncio que escutei o nosso desejo.

Tão secreto e inacessível como um sussurro rezado ao céu.

Este véu feito das asas que voam nos nossos sonhos, véu que nos separa na ilusão do dever.

Os verdadeiros amantes nunca se puderam amar.

Em desejo angustiante permitiram-se deslumbrar pelo olhar que mergulha no luar da alma.

Desejo esquecer o inesquecível,

esquecer-te a ti que danças no meu coração,

nú sobre as tuas asas como um segredo do Éden,

miragem do meu deserto.

Ainda que a noite fale tu não falarás.

És o silêncio que se oferece às minhas palavras, o ar que vibra nos meus carinhos.

A aragem ligeira que leva os estremecimentos da minha alma.

Saberá a lua a beleza que trás à noite?

Nem tu sabes o que és para mim.

Despertas o profundo olhar de mistério nas brumas da tua ausência.

Ricardo Gomes

Mundos Selvagens

Padrão

É um universo transcendente feito de planetas, que se tocam e se beijam, dos seus sonhos nasce o Espaço.

Quando as estrelas se beijam fica a vibração dos seus corpos no céu de nebulosas.

Na paisagem da memória permanece a névoa do desejo, faiscante de remota constelação do que não foste e poderias ter sido. Desejo das tuas asas que enchiam o céu.

Fragmentos dispersos o olhar contempla, a beleza dos mundos interiores, mundos que existem dentro de ti.

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Mundos selvagens habitados por feras indomáveis, mundos misteriosos de florestas virgens inacessíveis ao toque humano.

O medo corre nas fontes do teu  coração, temes as coisas belas e selvagens que povoam os teus mundos.

Quiseram os teus olhos cobrir de bênçãos a miséria do pó que ias pisando ao caminhar nos meus desertos. Quis o teu toque adormecer os escorpiões que se ocultavam nas areias movediças da minha alma. A tua  doçura desceu ao abismo do meu nada, e onde havia secura e aridez, nascem árvores e crescem flores.

Porque vieste, meu olhar, ao chamamento da minha alma?

Não vês que magoarás os teus pés nas duras pedras do meu caminho, não vês que sou um egoísmo feito  de escuridão a pedir a luz do teu olhar, uma solidão de amor a aprisionar a tua alma?

Ricardo Gomes

Mysterium

Padrão

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Rosto enigmático de olhar infeliz, alma que buscava respostas para as perguntas importantes.

Mergulhava no crepúsculo dos sonhos, como quem sonha, na beleza da solidão.

Profeta solitário, agora e para sempre, o amor está no silêncio de quem contempla a verdade.

Na solidão do ventre sorri para a escuridão, no vazio onde me perdi, esse recanto onde o amor é desapego.

Onde só entra quem eu quero.

Seres que povoam os meus céus, cantem em terra de desejo, pura imagem da beleza.

Seres que povoam os meus infernos, amem o ser rendido de prazer nas chamas do desejo.

Solidão, palavra gravada no coração, amargurados lábios estes que beijam a desilusão.

Prisioneiro do corpo, abraço a resignação, na dança da solidão és desilusão.

Solitário adormeço nos invisíveis mundos, afogo-me, buscando na superfície a ausência do teu ser.

Ricardo Gomes

 

 

Lua

Padrão

Essa lua tão doce, tão nua, mistério para mim.

Essa lua, olhar que ofusca,

o corpo suspenso nas brumas do tempo.

Vive no brilho da minha escuridão, sou reflexo da sua ilusão.

Belo é o luar da noite abrasadora,

consumida, minha alma envolta,

nas faíscas reluzentes de sonho,  chamas do teu corpo.

Lua

Em névoa de fantasia entre vales e montes,

dentro da escuridão do abismo,

no luar do teu sorriso.

Reluz em mim, lua oculta,

segredo que me atormenta.

Lua que brilha por trilhas infinitas,

em todas perdido, olhar da paixão,

agitado coração anseia pela noite, só para te ver.

E já rendido te contempla,

vive para te amar.

Suspirando pelo anoitecer do toque,

em braços de estrelas.

Escuto a voz da noite, apalpando pela escuridão,

o caminho para os teus lábios.

Reflexos de luar, enigmas do belo.

Deslumbres de perdição, no negrume do espaço.

Ricardo Gomes

Floresta de Rosas

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O príncipe das trevas caiu do céu, depois do abandono do jardim, tudo se formou.

Formara-se a floresta virgem, a floresta de rosas invadindo os caminhos, afogando-se nos rebentos silvestres, misturando as variedades a ponto tal, que, nos mesmos pés, pareciam abrir-se rosas de todos os aromas e de todas as cores.

Todos os caminhos da floresta estavam cobertos, e o príncipe caminhava à sombra em perfume. Ele via com os olhos fechados e escutava o cântico das rosas.

rose-tattoos-30A voz dela surpreendeu-o perguntando-lhe:

– Porque vês com os olhos fechados?

Uma voz enigmática respondeu:

– Porque os botões de rosa captam maior beleza, contendo a mesma fragrância.

– Falas por enigmas? Replicou ela.

– Vejo sete rosas em ti, mas o perfume do desejo, essa é a melhor visão.

– Tu és o meu amor, vens da minha carne, esperas que eu te tome nos meus braços, para não formarmos senão um… Estava a sonhar contigo.

Tu estavas no meu peito, e eu dava-te o meu sangue, os meus músculos, os meus ossos. Eu não sofria. Tu tomavas-me metade do coração tão docemente, que era em mim uma volúpia dividir-me assim.

A chuva de rosas que escorreu pelo teu corpo, os teus cabelos feixes flamejantes. Minha flor perfumada com um aroma próprio, nua, inocente, sem vergonha.

Amo-te e em volta de nós as roseiras florescem.

– Porque não abres os olhos, se abriste o meu coração?

– Escuta e observa que ao nascer dos raios resplandecentes os botões das rosas abrem-se ao mundo. Ao perceber que és o meu Sol, abro os meus olhos para ti.

 

P.S celebramos  quatro anos de amor, obrigado por seres quem és na minha vida.

 

Ricardo Gomes

Feliz Aniversário

Padrão

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O centro do teu coração é um relógio de eternidades.
O centro do teu coração é aquele lugar em que me posso esconder. É um mar deserto, virgem, sagrado, ostentando a sua doçura selvagem na inocência da solidão.
Só o Sol aí penetra, estendendo-se como uma toalha de ouro sobre os prados dos meus olhos e as árvores do meu ser. Conheço-te como conheço a mim próprio e neste dia que tu nasceste é o dia em que uma parte de mim também nasceu.
Porque conhecemos a eternidade de mãos dadas, o teu sorriso é a minha oração.
Amo-te és parte de mim, aqui dentro não conheces paredes nem limites.
És pureza, puro ouro, uma prenda de Deus.
Abraço-te com o meu olhar e o meu sorriso, o teu nome estará sempre gravado no silêncio do meu coração.

Ricardo Gomes

Escuridão do Coração

Padrão

 

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Perdido na escuridão dos abismos,

sangue bebi no corpo que rasguei.

Fantasma me tornei, na dor que aliviei.

Misterioso habitante que vagueia nas penumbras do teu coração.

O som da vergonha, o sorriso do desprezo.

A beleza da morte, o brilho do erro.

O pensamento que assombra, a fúria sem nome.

Em dores nasci em dores adormeço,

cortes profundos para que o negro nasça.

Resplandecente escuridão de negros raios, caos selvagem.

Fantasma flutuo na espessa angústia de respirar.

Quero partir, meu lugar a alguém quero dar.

Para lá dos abismos onde as estrelas não morrem,

e as dores são flores que sorriem.

Posso por fim descansar, mente que adormece para não acordar.

Fantasma sou na noite ausente de sono, peregrino de uma mente sombria povoada por vultos.

Ricky Stonem

Toque Imaginário

Padrão

Os olhos encontraram o céu nos teus lábios.

Os ouvidos encontraram o trovão na tua voz.

O nariz encontrou metáfora e sonho no teu odor.

O coração descobriu a felicidade no teu toque.

O corpo descobriu o calor na tua presença.

Quando pensa em ti, o sorriso oculta o brilho de mil olhares.

Estas mãos choram, porque não conseguem numa frase, reunir a beleza que tu reúnes num momento.

Poema escrito por Deus, conquistas pela tua melodia.

És música, és enigma,

inacessível, intocável.

A tua voz causa tempestades no peito, quando te vejo fico fora de mim.

O toque imaginário desses braços ausentes preenche o desejo que permanece.

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Incendium Amoris

Padrão

Por dentro do desejo, o silêncio que suspira.

É o vento com aroma de incenso e mirra.

Fogo que arde, que purifica este desejo.

Corpo suspenso tremendo de anseio.

Dormentes rosas vermelhas do peito nascem.

As chamas do teu ser em cinzas se desfazem.

Na noite de verão deitei-me numa cama de rosas brancas.

Só para mergulhar meu olhar no luar do teu corpo,

 textura de leopardo, para além do imaginado.

Com frio ou calor serás sempre o lugar onde o Sol se vai pôr.

Lábios eternos, abraços efémeros.

Ciclos saudosos do convite que se espera.

Odor que passou, ficaram teus olhos nos meus.

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Trilho de infinitas belezas, estrela deslumbrante.

Adormece na minha cama sonhando meus sonhos.

Luar que ama, rosa vermelha que me rasga o peito.

Como dói segurar-te as mãos que choram lágrimas vermelhas.

Dança pelos céus e desce para brilhares no meu leito.

Teu calor, tua ternura embalam o meu ser.

A intensidade dos nossos silêncios preenche todas as noites.

Amor, tua fragrância é transcendência.

No seu interior o silêncio que seduz.

Insaciável amante de uma lua que não se esconde.

Esse luar tão forte que me fez esquecer o Sol.

Na noite perdido fiquei numa cama de rosas brancas.

A profecia que rasgou os céus escutei.

Sensualidade nascida da devoção, rosa envolvente.

Na comunhão do pensamento, és o segredo que perdura.

Só resta o teu corpo que parte e o meu que fica,

o teu coração que acelera e o meu que abranda.

Ricardo Gomes

Devoção

Padrão

Quando os anjos cantaram e o céu se abriu diante de mim, vi a porta estreita repleta de luz.

As chamas incandescentes dos teus olhos acenderam a minha mente, no teu olhar pude contemplar a beleza oculta em todas as coisas, audível em todos os momentos.

Tornei-me incenso diante de ti.

Envolvi-me no teu amor, toquei no teu corpo. Abraçamos-nos intensamente com toques eternos.

Amei-te noivo da minha alma.

Com fome e sede de ti, adoro-te Salvador.

O toque das tuas mãos estremece a minha alma.

14753257_1234213123296630_3059990667389417491_o.jpgDesejo conhecer-te Senhor, desejo tornar cada gesto da minha vida agradável ao teu coração.

És a Luz que me aquece no gelo do sofrimento.
Serás a escuridão se me puder abraçar a ti.

És o meu maior desejo.

Ilumina os meus olhos, incendeia o meu coração.
Fogo que me queima és tu, beijo-te na minha devoção.

Orar é fazer amor contigo, escutar a tua voz é entrar no Infinito.

Ricardo Gomes

Lover

Padrão

É um instante de ti para a eternidade, independentemente do que aconteça.

O sentir faz sempre amor com a verdade.

A vida será bela. As manhãs serão luminosas.

Porque esse corpo é um Sol que aquece todos os planetas do meu universo.

Fazes-me sentir único, aquele que iluminas, num fogo que brilha sem parar.

Instinto que não se pode combater é saber que me podes ter.

Quando te aproximas os mundos desfazem-se.

Quero que fiques, independentemente do que aconteça.

A vida é a dádiva, em várias voltas paramos no mesmo lugar.

Não sabemos o que seremos, mas sentimos o que desejamos.

De novo, o silêncio. Denso, cheio.

Estás vivo hoje. Não sei falar de ti no passado,

não sei pensar em ti no passado, não sei responder à tua pergunta.

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Independentemente do que aconteça.

Quero permanecer para sempre nestes instantes de imensa intimidade.

Ficarão os olhares.

Os teus silêncios, as tuas palavras.

Dizes o que é belo, mergulhas o teu olhar no meu,

como que para extrair a confissão que esperas,

mas encontras a resistência do meu olhar que foge.

Ricardo Gomes

 

Sonho

Padrão

Sonho.

Tu és sonho, verso do meu sonho.
Poema com saudades que passou e ficou para depois.
Estás além de mim, nada é assim.
Vida dos meus pensamentos, alma do meu desejo.
Como o infinito véu do anoitecer que caiu do céu.
Suspenso em saudades bebo do cálice da tristeza.
Até na dor encontro beleza, sonho fora do sonho,
ninguém é assim, nesse jeito sem fim.
Cubro-me com a tristeza, vivendo de saudades.
Porque é que gostar é algo complexo?
Dói.
Dormir é encontrar-te, sonhar é tocar-te.
És pensamento, és segredo.
Não me despertes porque não quero largar esse corpo,feito de versos.

Poema que escrevo no olhar que não mostro.

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Ricardo Gomes

Anjos e Demónios

Padrão

A minha santidade…

Sensual, paranormal, paradoxal.

Não consigo viver sem isto, mas não consigo viver com isto.

Quero usar os poderes da minha magia para aprisionar os meus demónios.

Tentadores, destruidores, imparáveis. A magia arde no fogo do meu sangue.

Em visões imparáveis ao ponto de enlouquecer, canto os cânticos do céu e vejo os anjos.

Lindos, deslumbrantes e sensuais. O seu olhar sagrado estremece os meus ossos, sinto medo na minha alma.

Medo de me fascinar pelos poderes da magia, medo de me apaixonar pelos anjos.

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Existem anjos e demónios. Existem corpos repletos de luz na escuridão dos meus olhos.

Porque o mundo das visões é a escuridão do olhar humano.

Sou santo na clausura dos meus tormentos. Habitando entre os mundos dos anjos e dos demónios.

Vivo separado, desligado, desinteressado. Não sei amar, não aprendi nem senti, prefiro sonhar e seguir as visões.

A árvore fala comigo, como algo que mais ninguém pode comer.

Sou consumido pela gnose torno-me um com o invisível.

Ricardo Gomes

Íntimo

Padrão

I

A constituição íntima da poesia.

O universo é negro, o lugar da noite.

Onde os nossos olhos se fecham,

e dos suspiros dos nossos lábios fazem-se versos.

É tão bom quando o meu corpo sonha com o teu.

Queres a verdade?

Eu quero que o meu corpo seja um mundo em que te percas.

Um universo em que contemples a natureza do desejo.

Segura-me nos teus braços e nunca me deixes partir.

Consigo ver nos teus olhos que há algo que escondes de mim.

Entra nos meus lábios e ama-me com paixão.

Caminha e perde-te, ninguém te vai parar.

Sem deveres, sem horas certas, sem realidades.

Voar no meu céu, respirar no meu corpo.

Nesta cama feita de pedaços do universo, onde os lençóis negros revelam o brilhar dos nossos corpos,

nasce e renasce uma estrela sem fim.

II

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Quando me tocaste as estrelas caíram do céu.

Tudo se tornou escuro e secreto, viajei pelos meus sentidos.

No movimento do prazer, há saudades nos olhos,

há saudades no peito, há saudades nas pernas,

há saudades nos braços.

Os outros nunca sentem o que se passa neste quarto escuro.

Se não estás aqui, eu também não quero estar.

Quero estar bem próximo de ti.

Ricardo Gomes

Virgem Eterna

Padrão

De olhos fechados caminho suspenso na imensa escuridão, guio-me pelo suspiro da tua voz.

Como um eco eterno que origina realidades, vejo luzes que eclodem na ausência do olhar.

O teu corpo brilha como o sol nascente, na noite dos meus pensamentos és a lua cheia sensual e resplandecente.

Os teus seios são as ilhas do amor onde todos os deleites saciam o meu fervor.

Do teu ventre eterno em curvas que contornam o universo, geras a vida que evoca a eternidade.

 Desde a eternidade fui estabelecida, desde o principio, antes da origem da terra. Quando os abismos não existiam, eu fui gerada…Quando firmava os céus, lá estava eu.                            Provérbios 8:24 e 27

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A mãe de todos os seres e a amante de alguns, na contemplação da mente desejo-te a ti somente.

Possuir o teu corpo em oração, minha virgem, Senhora do prazer.

Quero o teu corpo, quero-te ter, na devoção mística uno as palmas da minha mão à tua.

Aproximo o rosto, olho-te nos olhos, um fogo que me devora no desejo da pureza e santidade.

O meu corpo pousa em ti como o vento pousa sobre a terra, em cima de mim dominas o mundo.

Morro para mim, torno-me tudo.

A Sabedoria é mais móvel que qualquer movimento e, por sua pureza, tudo atravessa e penetra. Ela é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente.. Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítida da atividade de Deus e imagem de sua bondade.                                 Sabedoria de Salomão 7:24-25

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Moves-te suavemente olhando para as estrelas, nesta noite inesquecível em que formaste o mundo.

Desejo-te com o único desejo, ouvindo a tua voz, envolta em luz.

Rodeada por anjos brilhas no céu dos meus olhos, o teu sorriso traz paz às nações.

Ela faz brilhar sua nobre origem vivendo na intimidade de Deus, pois o Senhor de tudo a amou. Ela é iniciada na ciência de Deus, ela é quem decide o que ele faz.                                                       Sabedoria de Salomão 8:3-4

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Ricardo Gomes

 

 

Sentidos

Padrão

Os sentidos são a perceção e a acepção,

de tudo  aquilo que nos rodeia.

Que diriam os filósofos e os eruditos sobre os sentidos?

Certamente iriam induzir-nos ao empirismo,

ao conhecimento sensorial.

O empírico é algo prático e experimental.

Como um curandeiro que seria sensível,

a  toda uma consistência  de sensações, emoções,

sabores, odores e notas corporais tangíveis.

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Com o meu olhar singelo contemplo o mundo,

com o meu olhar espiritual vislumbro,

o que muito poucos  veem e sentem.

Há algo mágico e transcendental,

entre os dois mundos.

O mundo terreno e o mundo espiritual.

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As riquezas e a matéria no mundo terreno,

já tem um nome e uma explicação.

No mundo espiritual também têm designações,

com descrições arrebatadoras e fascinantes .

Os meus olhos contemplam o céu azul,

que se espelha no mar e nos rios.

Vejo nascentes e fontes de vida,

cheias de fé e esperança.

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Entre cordilheiras, montanhas e serras,

admiramos o verde que marca,

toda uma  linda paisagem.

Os vales verdejantes,

as planícies, montes e jardins.

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Vejo árvores abundantes de frutos.

Frutos de amor e de alegria.

Adoro sentir o sol na pele,

as lágrimas do céu que desabam,

e tocam-nos graciosamente na face.

Amo o abraço, o toque do meu amado.

Aquele contemplar tão desejado.

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Prezo o calor da amizade.

Apego-me aos desfavorecidos.

Sinto a sua angústia,

e o gelo da sua saudade.

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Adoro tocar nas faces,

amo o toque das mãos.

Gosto de abraços apertados.

Adoro o abraço terno e inflamado dos meus filhos.

Exploro o mundo pelos sons,

canto , rogo, oro a Deus e aos anjos.

Adoro os gargalhadas das pessoas,

O riso genuíno das crianças.

Amo as palavras de conforto e perseverança,

dos fiéis e iluminados.

Tenho pena dos que não sabem viver,

estando perpétuamente em sofrimento.

Vivendo presos e infelizes nas suas lamúrias.

Gosto de cheiros e odores,

amo o cheiro das plantas,

Adoro o cheiro da terra molhada,

sinto os odores de tudo o que me envolve.

Gosto de cheiros característicos.

 Amo os sabores e as emoções.

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Lembro-me dos sabores e das recordações;

que sentia em criança.

Recordo-me dos fornos de lenha,

da comida cozinhada na terra.

Da alegria do bem servir,

servir com amor e devoção.

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 Hoje saboreio as emoções e os sentimentos.

Dou um valor inestimável;

a tudo o que já tive e já perdi.

Amadureci e finalmente aprendi,

que o mais importante,

é o amor e a compaixão,

viver em fé e na esperança.

Se não vir o meu mundo singular,

deste prisma, desta ótica e luz,

não terá valido a pena amar e adorar,

e ter esperado em crença.

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O verdadeiro sabor da vida é a essência genuína.

De tocar e sermos tocados pela sabedoria,

de aprendermos a dar valor ao que temos,

aceitar as condicionantes da nossa vida,

e acreditar com alegria.

Catarina Leitão

 

A Saudade

Padrão

Poema escrito pela minha mãe

Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém, de afastamento de um lugar.

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A saudade é um sentimento raro e peculiar,

palavra  impar, sentida e vivenciada pela nossa nação.

Usada sempre com um solene lirismo.

Enaltecida com grande mestria no nosso fado e outras melodias;

usada como mote em lindas e ricas poesias.

Epopeias, declamações, representações,

e outras filosofias  de pensamento.

Dizem os eruditos, os letrados e os mais iluminados,

que ao longo dos tempos longínquos e há muito passados;

a palavra saudade nasceu,

da palavra latina  “Solitãte” , «solidão».

Diz a lenda, o mito e a nossa narrativa oral,

que a palavra saudade , o mote,

o sentimento e o grande conceito,

surgiu aquando do período dos Descobrimentos Portugueses.

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A palavra saudade narra que os homens partiram,

para o gigante mar turbulento, inexplorado e desconhecido.

Muitos à deriva, esmagados pelas fortes correntezas e tempestades,

receosos dos mitos e lendas narrados por tantos navegantes.

Foram em busca duma vida mais afortunada.

Partiram para lutar contra a morte da fome da terra.

Com a fé, crença e esperança.

Que iam encontrar um melhor destino.

Conforme foram passando os dias, meses e anos.

Lembravam -se das suas mães, mulheres, filhos e filhas,

que  tiveram de deixar para trás.

Muitos não tiveram oportunidade de ver crescer.

Sentiam a ausência da sua pátria,

a terra que toda a vida conheceram,

Que tanto amaram e desamaram.

Acredito que ao fim de tanto tempo,

a vislumbrar o imenso azul do mar.

Viriam breves esboços dos rostos das suas amadas.

Ouviriam os ecos das vozes e risos das suas amadas,

os sons já distorcidos dos risos das crianças.

Talvez sentissem poeticamente os cheiros dos seus corpos.

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Flutuo até aqueles portos e mares,

donde embarcações partiram.

E vejo dum lado um grande mar salgado,

e nas areias vejo e sinto as suas incontáveis lágrimas que me tocam nos pés,

daquelas, mães, mulheres envoltas nos xailes.

Imagino os seus longos e intermináveis anos,

a olharem o grandioso mar.

E o que terão chorado, e clamado a Deus;

Ás vezes que terão sufocado na solidão,

a esmagadora tristeza nos seus olhos.

Para que o majestoso mar,

devolvesse os seus amados.

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E o que sentiram de tão profundo e esmagador,

tantos homens e tantas mulheres,

aquele grande sentimento,

que nasce nos nossos genes,

para sempre a dita Saudade.

Quais seriam as suas preces a Deus.

Mares e mares de lágrimas,

Para pôr fim a derradeira Saudade.

Catarina Leitão.

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