Sentidos

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Os sentidos são a perceção e a acepção,

de tudo  aquilo que nos rodeia.

Que diriam os filósofos e os eruditos sobre os sentidos?

Certamente iriam induzir-nos ao empirismo,

ao conhecimento sensorial.

O empírico é algo prático e experimental.

Como um curandeiro que seria sensível,

a  toda uma consistência  de sensações, emoções,

sabores, odores e notas corporais tangíveis.

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Com o meu olhar singelo contemplo o mundo,

com o meu olhar espiritual vislumbro,

o que muito poucos  veem e sentem.

Há algo mágico e transcendental,

entre os dois mundos.

O mundo terreno e o mundo espiritual.

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As riquezas e a matéria no mundo terreno,

já tem um nome e uma explicação.

No mundo espiritual também têm designações,

com descrições arrebatadoras e fascinantes .

Os meus olhos contemplam o céu azul,

que se espelha no mar e nos rios.

Vejo nascentes e fontes de vida,

cheias de fé e esperança.

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Entre cordilheiras, montanhas e serras,

admiramos o verde que marca,

toda uma  linda paisagem.

Os vales verdejantes,

as planícies, montes e jardins.

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Vejo árvores abundantes de frutos.

Frutos de amor e de alegria.

Adoro sentir o sol na pele,

as lágrimas do céu que desabam,

e tocam-nos graciosamente na face.

Amo o abraço, o toque do meu amado.

Aquele contemplar tão desejado.

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Prezo o calor da amizade.

Apego-me aos desfavorecidos.

Sinto a sua angústia,

e o gelo da sua saudade.

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Adoro tocar nas faces,

amo o toque das mãos.

Gosto de abraços apertados.

Adoro o abraço terno e inflamado dos meus filhos.

Exploro o mundo pelos sons,

canto , rogo, oro a Deus e aos anjos.

Adoro os gargalhadas das pessoas,

O riso genuíno das crianças.

Amo as palavras de conforto e perseverança,

dos fiéis e iluminados.

Tenho pena dos que não sabem viver,

estando perpétuamente em sofrimento.

Vivendo presos e infelizes nas suas lamúrias.

Gosto de cheiros e odores,

amo o cheiro das plantas,

Adoro o cheiro da terra molhada,

sinto os odores de tudo o que me envolve.

Gosto de cheiros característicos.

 Amo os sabores e as emoções.

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Lembro-me dos sabores e das recordações;

que sentia em criança.

Recordo-me dos fornos de lenha,

da comida cozinhada na terra.

Da alegria do bem servir,

servir com amor e devoção.

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 Hoje saboreio as emoções e os sentimentos.

Dou um valor inestimável;

a tudo o que já tive e já perdi.

Amadureci e finalmente aprendi,

que o mais importante,

é o amor e a compaixão,

viver em fé e na esperança.

Se não vir o meu mundo singular,

deste prisma, desta ótica e luz,

não terá valido a pena amar e adorar,

e ter esperado em crença.

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O verdadeiro sabor da vida é a essência genuína.

De tocar e sermos tocados pela sabedoria,

de aprendermos a dar valor ao que temos,

aceitar as condicionantes da nossa vida,

e acreditar com alegria.

Catarina Leitão

 

A Saudade

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Poema escrito pela minha mãe

Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém, de afastamento de um lugar.

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A saudade é um sentimento raro e peculiar,

palavra  impar, sentida e vivenciada pela nossa nação.

Usada sempre com um solene lirismo.

Enaltecida com grande mestria no nosso fado e outras melodias;

usada como mote em lindas e ricas poesias.

Epopeias, declamações, representações,

e outras filosofias  de pensamento.

Dizem os eruditos, os letrados e os mais iluminados,

que ao longo dos tempos longínquos e há muito passados;

a palavra saudade nasceu,

da palavra latina  “Solitãte” , «solidão».

Diz a lenda, o mito e a nossa narrativa oral,

que a palavra saudade , o mote,

o sentimento e o grande conceito,

surgiu aquando do período dos Descobrimentos Portugueses.

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A palavra saudade narra que os homens partiram,

para o gigante mar turbulento, inexplorado e desconhecido.

Muitos à deriva, esmagados pelas fortes correntezas e tempestades,

receosos dos mitos e lendas narrados por tantos navegantes.

Foram em busca duma vida mais afortunada.

Partiram para lutar contra a morte da fome da terra.

Com a fé, crença e esperança.

Que iam encontrar um melhor destino.

Conforme foram passando os dias, meses e anos.

Lembravam -se das suas mães, mulheres, filhos e filhas,

que  tiveram de deixar para trás.

Muitos não tiveram oportunidade de ver crescer.

Sentiam a ausência da sua pátria,

a terra que toda a vida conheceram,

Que tanto amaram e desamaram.

Acredito que ao fim de tanto tempo,

a vislumbrar o imenso azul do mar.

Viriam breves esboços dos rostos das suas amadas.

Ouviriam os ecos das vozes e risos das suas amadas,

os sons já distorcidos dos risos das crianças.

Talvez sentissem poeticamente os cheiros dos seus corpos.

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Flutuo até aqueles portos e mares,

donde embarcações partiram.

E vejo dum lado um grande mar salgado,

e nas areias vejo e sinto as suas incontáveis lágrimas que me tocam nos pés,

daquelas, mães, mulheres envoltas nos xailes.

Imagino os seus longos e intermináveis anos,

a olharem o grandioso mar.

E o que terão chorado, e clamado a Deus;

Ás vezes que terão sufocado na solidão,

a esmagadora tristeza nos seus olhos.

Para que o majestoso mar,

devolvesse os seus amados.

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E o que sentiram de tão profundo e esmagador,

tantos homens e tantas mulheres,

aquele grande sentimento,

que nasce nos nossos genes,

para sempre a dita Saudade.

Quais seriam as suas preces a Deus.

Mares e mares de lágrimas,

Para pôr fim a derradeira Saudade.

Catarina Leitão.

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Meditação

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Ás vezes não vejo, sou o próprio olhar.
Ás vezes não ouço, sou o próprio silêncio.
Ás vezes não desejo, possuo o teu corpo no meu.
Já não te quero sentir porque sou quem tu és.
Não há silêncios nem vidas suficientes para descrever
aquilo que é, não sei se momentos não sei se um sonho desperto.
Onde flutuo sem me mover por uma noite eterna,
onde o topo do meu crânio invisível e inexistente é a porta para as galáxias.

Diluo-me no vácuo transcendente.
Sinto as batidas dos universos, os sopros da consciência, não estou no vazio,
entro no vazio e existo para lá da existência.
O liquido escorre enchendo-me de felicidade, não preciso de nada
tu és tudo o que eu quero, tudo o que eu desejo, tudo o que me torno.

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A droga do Éden, a grande estrela que flutua por cima dos meus cabelos.
A coluna é um corredor cheio de penumbras brilhantes, a serenidade é um êxtase.
Como uma droga proibida que ocultaste dentro de mim.

Nas profundezas do meu ser.

Em vão te procurei nos recantos da terra, em vão clamei por ti nos templos.
Em vão quis acreditar no teu corpo…
fazemos amor por toda a eternidade no teu corpo, beijo-te com carinho,
sinto o teu fogo por todos os lugares do meu ser.
O meu corpo transformou-se no espaço sem limites, onde a consciência do amor é a verdade.
Droga do Éden, líquido que libertaste em mim quando atingimos o prazer supremo.
Não conheço humanidade, neste momento divino, onde a existência é divindade.

Ricardo Gomes

Mar Poético

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Poema escrito pela minha mãe

Oh meu grande mar salgado

Sinto-me tão prateada em ti.

Contigo declino os meus grandiosos esteios,

ascendo-me totalmente dos recônditos sentimentos.

ascendo-me totalmente dos recônditos sentimentos

Oh meu grande mar salgado,

em ti abdico da minha essência,

identifico-me com a tua tormenta,

sou única numa consistência;

Mimosa; calorosa; frívola; revolta e indomável.

Por vezes intempestuosa.

A minha natureza é devastadora,

mas é um ventre fecundo de vida.

mas é um ventre fecundo de vida

Oh meu grande mar salgado,

arraso, edifico e destruo.

Dou vida, sustentabilidade, plenitude e felicidade.

O mar é uma fénix que arde sem fogo,

tirando todo o folêgo do seu amante.

tirando todo o folêgo do seu amante

Oh meu grande mar salgado,

sinto o infortúnio, quando as vidas se debatem,

perdem-se num grandioso oceano de lágrimas.

Sofro pelas viúvas,

Por todas as que perderam a sua metade.

Oh meu grande mar salgado,

aspiro o abraço majestoso das tuas ondas.

Adoro a imponência das tuas marés,

devoto a ti a liberdade e a felicidade que dás.

Catarina Leitão

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Eternidades

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Quando as horas são momentos,

e os fragmentos da verdade são como o sopro do vento,

que derruba  e destrói em tempestades intermináveis.

Círculos sem fim de sonhos e memórias.

Aquilo que é seguro, aquilo que é inquestionável.

Quem és tu?

Não és oca nem vazia, tens a substância a força que se movimenta penetrando todas as coisas.

És o ser que sai de outro ser, primeiro um choro depois um silêncio, os movimentos dos braços, o mover das pernas. O sentimento do outro, a consciência de outro corpo.

Momentos que parecem eternidades.

Pequenos gestos repletos de verdade.

A pureza e a inocência da natureza livre.

És livre daquilo que os outros querem de ti, queres ser tu própria cheia de ti, não procuras ser oca nem vazia mas cheia de eternidades.

Sem convenções nem regras, sem exigências nem estilos.

Simplesmente tu.

Pura, única, genuína, sincera e fiel.

Há sempre paz no coração do fiel.

Há sempre luz naquela que é luminosa.

A luz brilha nos teus olhos e queima o teu coração, o fogo queima e dói mas é essa dor que origina a imortalidade.

Sozinha no teu mundo caminhas em ritmos eternos procurando sempre a verdade.

No teu lado negro escuto o sorriso da Kali, na tua morte existe vida, na tua destruição reside a verdadeira pureza.

Não há limites para o teu amor  é do tamanho do céu, o teu sorriso leva os vazios ao paraíso.

Incomodas quem não tem substância, quem não é.

O centro do teu coração é um relógio de eternidades.

Momentos cheios de mistérios na solidão do teu mundo onde a loucura é a vida que se expressa.

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Ricardo Gomes

Metamorfose

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Poema escrito pelo meu irmão para a antologia poética da sua escola

Somos um só.

Lágrimas do sol,

Filhos da lua,

Da beleza nua.

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És a tempestade

E eu, a serenidade.

Nasci da loucura

E tu, da doçura.

O teu pescoço

São os prados

Por onde provoco o teu suspiro

E o toque ardoroso

Que te conquista.

É o calafrio

Que te modifica.

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Um beijo…

Metamorfose:

Abandona a tua crisálida

E renasce no nosso amor.

Miguel Ângelo Leitão

Os teus Olhos

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São os teus olhos, sempre foram os teus olhos.

Olhas e o tempo suspende os ciclos intermináveis das estrelas, olhas e as trevas que escurecem a superfície da vida são névoa de sonho, vapor de ilusão.

Retiras o olhar e eu tremo de frio, como a terra arrefece durante um eclipse solar.

Os teus olhos são duas tremendas noites de paixão, onde dois corpos sedentos lutam até ao esgotar da paixão.

Noites cheias de momentos escuros, profundos e misteriosos, lugares onde me oculto.

As esferas perfeitas de Platão, a sintonia da alma, oculta-se no teu olhar.

Se as estrelas caminham suspensas no olhar de Deus, a minha alma salta na poeira que o teu olhar levanta.

Se os nossos lábios se unissem seriam um vulcão, do seu contacto explodiria um beijo de nebulosas que começaria um novo mundo.

Ricardo Gomes

 

 

Teus Enigmas

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Tu és um portal onde se escondem todos os desejos.

Um céu onde flutuam os sonhos, percorridos por sonhadores ávidos.

Os teus olhos são o sol e a lua,

Perdidos nessa imensidão, só pelas estrelas se guiam.

As constelações resplandecentes que povoam o teu corpo, contando histórias de várias formas.

Os detalhes secretos da tua beleza.

O mistério que se desvenda a quem se perde no teu lado escuro guiando-se apenas pelas tuas estrelas.

No momento infinito onde a fantasia é a única linguagem possível, o som dos sonhos.

Bato em vários portas até encontrar aquilo que procuro.

Não procuro um corpo, nem um desejo.

Procuro uma porta, uma fantasia de carne e osso que me transmute em desejo,

que me consuma em chamas feitas do corpo das estrelas.

Existem amores que matam o segredo que há em nós.

Fundindo-nos em trevas maiores, tornando a nossa luz brilhante.

Perdido nessas constelações, em universos de toques enigmáticos,

sou um eterno viajante nesse desejo que é a química que nos une.

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Ricardo Gomes

Sou

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Rodas, rodas e mais rodas que deslizam por lençóis.

O mundo é uma cama suave, suspensa num universo de pesadelos.

A porta do medo, por onde caminho nas dúvidas da noite encontro o meu destino.

Sou suave e quente, mas fui rasgado e apagado.

Hoje sou uma cama onde ninguém se quer deitar, deixar apagar o brilho do meu encanto até me encontrar.

Nas névoas do feitiço fui vendido a um mercante.

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Hoje sou um homem ardente, sensual como o Sol poente.

O calor dos meus olhos derretem o teu coração.

Não quero ser rei, não quero ser homem, quero ser o mundo do inexplicável.

Explorar os recantos desta cama de lençóis,

deitar-me comigo, fazer amor comigo, encontrar-me.

Sou inteiro, um anjo em chamas que incendeia os céus.

Uma boca que anuncia os mistérios, ouvi os ventos do deserto.

Senti o Sol na minha pele.

Querubim é o teu nome, e em suaves lençóis serás desejado pela tua pureza.

Ricardo Gomes

Os olhos da Noite

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A noite do olhar habitada por penumbras, alumiada pela lua cheia.

Cheia de pesar, relâmpagos silenciosos na infinita escuridão.

És assim quando sentes uma mão.

O toque tempestuoso, o caos da verdade.

Nesta noite brilhamos com os nossos piores segredos.

Sem um som, falamos entre olhares.

Dois oceanos gelados, que aquecem os nossos corpos.

Mortos, esquecidos.

Vivificados na esperança do luar.

Sinto-te a flutuar, como as estrelas na escuridão da noite.

Elas flutuam no seu brilho, tu brilhas na escuridão.

Vi as estrelas nos teus olhos, o infinito do Universo.

Senti o gelo do espaço, a distância do tempo.

A beleza eterna desta noite onde permaneces um mistério.

Um livro de seda envolto em rosas.

Quem te ler sangra, porque é um sofrimento chegar ao teu coração.

És o tormento daquele que te ama.

Na tua solidão existem mil sóis, nestes olhos existe uma noite.

Que olhar poderá ler tão grande rosa, que amor e paixão fazem sangrar esse coração.

Inacessível e pura, secreta e oculta.

Há espera daquele que sangre as suas mãos por amor e sacrifique o seu olhar para ler esse coração.

 

Ricardo Gomes

Lucia

Um presente especial para a minha prima especial, a minha alma poética.

Sou

Standard

A minha vida não cabe numa ideia, sou o próprio pensamento
tão pouco cabe num versiculo, sou infinito como Deus.
Não sou apenas mais um, mas tudo em todos.
Saboreio o sal de todas as lágrimas, sinto o calor da ira.
A vergonha do prazer.
Não posso ser louco, porque a loucura já se apaixonou por mim, mas nunca me teve.
Não me podem silenciar porque eu sou a voz do silêncio.
Em mim caminham todos os estranhos, aqueles que procuram o desconhecido.
Não quero ser seguro, quero apenas ser eu, sem limites e barreiras, apenas tudo, em todos os momentos, em todos os lugares,em todos os tempos, em todas as eras.
Todos querem voar, eu quero apenas flutuar num vazio incompreensivel em que não penso.
O meu corpo está tenso, deste prazer.
Sou o liquido que escorre nas tuas mãos, o odor que atravessa o ar.
Não me consegues agarrar, aprendeste a andar, mas eu deslizo.

Ricardo Gomes

Transcendência

Standard

Dentro de mim existem coisas belas e selvagens, coisas que me dominam.
Amores impossiveis, tenho medo que se tornem um vicio, algo sombrio cheio de desejo e morte.
Uma morte fria aquecida pela adrenalina do momento, algo que não podes controlar, este tormento desperto pelo olhar, esta sensação que nunca te esqueci.
No suspiro da loucura és ar tóxico que me consome.
Transpiro os teus gemidos, existo no teu corpo.
Dou por mim morto, sem ar, o que é respirar se não sentir a tua presença?
Nunca te vi até este momento no entanto parece que nunca te esqueci.
Os corpos entrelaçados na trascendência do prazer, respiração ofegante num lugar onde não posso ser.

Ricardo Gomes

 

Inconstância do Ser

Standard

Sinto-me seguro na insegurança.

Na incerteza descubro as maravilhas da vida.

A ilusão faz sonhar, a desilusão acorda.

Nem os meus planos cumpro, quanto mais os dos outros.

Não se arruma uma alma desorganizada na organizada prateleira do destino.

Onde o propósito arruma a ilusão dos sonhadores.

Crianças inseguras que precisam de um papá para lhes guiar os passos.

Nesta vigilia permaneço desperto pelos gritos, dos que já não estão cá.

Contemplo a inscontância de ser,

a beleza do não permanecer em nada.

Quão  belos são os pesadelos! Quão desejosos os seus sons!

Neste meu cansaço escolho cada passo.

Sem mãos para me guiar, desejo o sonho, algures onde estás papá.

Ricardo Gomes

Lágrimas do Poeta

Standard

Leio o mundo em versos,

as letras rasgam-me os olhos,

A tinta escorre pelo corpo, desce ao coração.

Sinto o belo, no confuso vazio.

Ouço as rimas, sinto o som.

O sabor dos momentos, o perdurar do tempo.

O branco que se esbate na escuridão das letras.

Aprisionado numa folha, guardada algures.

Liberto pelos olhos, daqueles que lêem.

Aprisionado por corações desinteressados.

Ricardo Gomes

Insónia

Standard

 

Aquilo que fazemos com o corpo afecta-nos a alma.

Não eu mas ele,  não ele mas nós.

Procuramos conforto na escuridão.

Existimos nas trevas, transpiramos prazer.

Rasgamos a carne, enlouquecemos o corpo.

(I)

Dá-me mais um pouco da tua alma.

Saboreia-me os sonhos.

Embeleza os meus pesadelos, habitante de insónias.

Deixa-me explorar cada uma das tuas fantasias.

Devora-me em segredo

Salva-me desta loucura.

(II)

Entrega-me o teu corpo, ardo em febre, amo a destruição.

O prazer sufoca-me, preciso de espaço.

O sono é para os fracos,

desejo a loucura,

desejo a genialidade.

Quero beijar esses lábios, roubar-te a verdade.

Ardo em febre, enfraqueço na saudade.

(III)

Destrói-me enquanto podes.

Lá fora as luzes não param,

o silêncio faz barulho.

A cabeça está pesada.

Sufoca-me neste momento, termina o meu tormento.

Ricardo Gomes

O mundo em que nasci

Standard

Imagino-me a regressar atrás no tempo,

uns dias antes de eu nascer

quando estava no ventre da minha mãe.

Vivia num lugar escuro cheio de trevas sem qualquer tipo de luz.

Um lugar silencioso.

Era só água neste lugar, eu flutuava não pousava os meus pés em nenhum sitio firme.

Não havia nenhum teto,

simplesmente flutuava, abrigando-me na liberdade.

Vivia ligado a um tubo.

Estava nesse lugar até que um dia arrancaram me de lá.

Tive que sair,  tive que ir para um sitio cheio de barulho.

Para um sitio cheio de leis. Existe uma lei  em que se eu quiser flutuar  se desejar tirar os pés do chão, não posso.

Sou pressionado para baixo, obrigado a caminhar com os pés em sítios firmes.

Existe outra lei em que o meu corpo não pode habitar dentro de agua, se ficar sem oxigénio morro.

Existe outra lei em que para sobreviver não posso confiar em ninguém a não ser em mim próprio.

Não me habituei a este mundo.

Estou habituado à escuridão, estou habituado a viver num sitio onde  posso flutuar e mover me livremente sem nenhuma força a puxar me para baixo.

Estou habituado a confiar em alguém num ser superior que me alimenta através de um tubo.

Eu dependo totalmente dele.

Quero voltar outra vez para o ventre da minha mãe e desejava nunca ter saído de lá.

Ricardo Gomes

Brilhante Ser

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Este sonho tão alto e tão forte.

Tecido pelas mãos, imaginado por anjos.

Por momentos perdi-me, vagueando em sentimentos oscilantes.

Deslumbrado por pensamentos de um ser brilhante.

Em noites sem lua reluz, carrega mundos nos seus olhos.

Queimado pelo toque, transpiro no seu calor.

Desejo esquecer para me lembrar, de forma mais intensa.

Este ser tão real.

A explosão do seu beijo, cada segundo, cada detalhe, um momento eterno.

Não quero acordar, anseio por adormecer nestes braços,

brilhar no seu corpo.

Ricardo Gomes

Perfeitos Momentos

Standard

Deitado na cama és o suspiro que me envolve.

O fogo abrasador desta chama que me devora.

Extraís de mim, o que não consigo tocar.

Em ti deixo-me levar, neste momento de entrega.

O som funde-se nos corpos em união.

O respirar é falar.

Olhar é amar.

Quando tempo durará permanecer dentro de ti.

Quanto tempo existirei longe de mim.

De olhares fechados imagino um lugar,

onde isto não tem fim.

Ricardo Gomes